Terêncio ANAHORY
(1932 - 2000)

Biographie

Terêncio Casimiro Anahory Silva, plus connu sous le pseudonyme de Terêncio Anahory, est né le 4 mars 1932 à Sal Rei, sur l'île de Boa Vista, et meurt le 9 septembre 2000, à Lisbonne.
Fils de Maria da Conceição Teixeira Santana et Vulgêncio Anahory e Silva, il épouse en premières noces Susana Maria Sintra Sequeira, dont il a trois enfants. Au bout de 20 ans, il épouse en secondes noces Maria Helena Albuquerque, avec qui il vit encore 20 ans.
Iil passe son enfance sur son île natale, il poursuit ses études au lycée Gil Eanes à Mindelo. 
Faute d'argent, en 1951, il part pour la Guinée comme fonctionnaire administratif, mais grâce au soutien de son frère Policarpo et de sa femme Rosel, il rejoint en 1954 Lisbonne où il entre à l'Université de Lisbonne, en Faculté de Droit.
Il est par ailleurs vice-président du conseil  de Acção nacional popular (anciennement União nacional), à Vila Franca de Xira, et membre directif de la Casa de Cabo Verde à Lisbonne.​ Il devient également sous-directeur de l'Ecole de commerce et d'industrie de Vila Franca de Xira, école dans laquelle il enseignait alors qu'il était étudiant à l'Université.

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Oeuvres littéraires


Terêncio Anahory est un poète au corpus restreint.
Il a publié en 1962 un recueil de poésie intitulé Caminho longe.
Pour le reste, ses poèmes sont édités dans des périodiques caboverdiens tels que Claridade, Cabo Verde et son Suplemento cultural, ou lusophones tels que Bolamense (Guinée-Bissau), Diário de Notícias  ou encore le suplemento do jornal Notícias.
Il fait partie du groupe Nova Largada qui luttait pour la légitimité de la lutte capverdienne et contre les problème de famine dans l'archipel.

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CANÇÃO DA ROÇA
 
            Roça tem sol
            roça tem água
            café maduro
            e cacau gostoso…
                        Roça tudo tem!
            Mas roça também tem
            sangue de negro e mulato
            correndo nas ribeiras
            saltitando nas lavadas
            gritando
            gritando sempre:
            «Fugi di roça
            Fugi di roça!»
            E na ânsia de levar o grito
            para o vale a para a montanha
            corre por todos os cantos da roça!
            E esse sangue de negro e mulato
            é seiva que faz prosperar…
            o cafeeiro cresce
            é cacau gostoso
            e a verdura trepa
            trepa para os céus!
            Mas o grito desse sangue derramado
            fica ao de cima pairando no tempo…
            E nas noites de vento
            e nas noites de calma
            nas manhãs de sol
            e nos dias de chuva…
                        «Fugi di roça
                        fugi di roça!»

Caminho longe, 1962

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REGRESSO

Deixem-no pasar, por favor;
Ele vem cansado,
O seu caminho foi longo...

Desde manhã cedo
As aves que cantam
O Sol e o prado
E a brisa do mar
Trouxeram com eles
O teu cartão de visita.

Mas eu não queria visita anunciada...

Podias entrar sem bater
Beber da minha água
E comer da minha comida.

Descansa!

... E enquanto adeja
Em volta de nois
Este socego tranquilo
De um retorno desejado
Vou contar-te histórias
Para  embalar o teu sono
Afugentar do teu pensamento
Roças, secas, sol ardente, 
Fuba,
Terra-Longe!

Suplemento Cultural - Cabo Verde, 1958

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Bibliographie


Oeuvres

  • Caminho longe: poemas, Lisboa: Sagitário, 1962, 89 p.

Périodiques

  • Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano XV, nova fase, n° 13-15 / 169-171 (10-12/1963):
  1. "Nha Codé", p. 22
  2. "Pacto", p. 23
  • "Romance da Bia", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano XIII, n° 145 (10/1961), p. 21
  • Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano X, n° 112 (01/1959):
  1. "Noite antiga", p. 20-21
  2. "Sorriso", p. 21
  • "Regresso", Suplemento Cultural - Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, n° 1 (10/1958), p. 44
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 8 (05/1958):
  1. "Impermeabilidade", p. 32
  2. "Depois da chuva", p. 33
  3. "Viagem", p. 33
  • "Carta de apresentação", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano VIII, n° 93 (06/1957), p. 18

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • "Canção da roça", in Erica Antunes Pereira / Maria de Fátima Fernandes / Simone Caputo Gomes (ed.), Cabo Verde, 100 poemas escolhidos, Praia: Ed. Pedro Cardoso, 2016, p. 79
  • in Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco (ed.), Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX, vol. II: Cap Vert, Rio de Janeiro: UFRJ, 1999:
  1. "Porto Grande", p. 76-77
  2. "Retorno", p. 77-78
  • Manuel Fereira (ed.), No reino de Caliban: antologia panorãmica da poesia africana de expressão portuguesa  (vol. I: Cabo Verde / Guinée-Bissau), Lisboa: Seara Nova, 1975 (3a ed. 1988):
  1. "Nha Codé", p. 195; 1988, p. 189
  2. "Porto Grande", p. 195-196; 1988, p. 189-190
  3. "Retorno", p. 197; 1988, p. 191
  4. "Canção da roça", p. 197-198; 1988, p. 191-192
  • "Poema sem tempo", in Luís Forjaz Trigueiros (ed.), Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor: o Ultramar português, Lisboa: Livraria Bertrand, 1963, p. 82-83

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Etudes critiques - Articles


  • Eloisa Helena Varela Mendes, Caminho longe de Terêncio Anahory: uma leitura crítica (tese de licenciatura), Praia: UniCV, 09/2010, p. (web)

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