Aguinaldo Brito FONSECA
(1922 - 2014)

Biographie


Aguinaldo Brito Fonseca est né le 22 septembre 1922 à Mindelo et meurt le 24 janvier 2014 à Lisbonne.
Employé de bureau au Portugal, il est un des principaux poètes capverdiens que l'on retrouve dans plusieurs anthologies ou recueils collectifs.

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Oeuvres littéraires


Aguinaldo Fonseca collabore aux périodiques Claridade, Cabo Verde: boletim de propagande e informação, MensagemMundo literário, Atlântico, Seara nova...
On ne lui connaît qu'une seule publication: le recueil de poèmes Linha do horizonte  parue en 1951, à quoi s'ajoute un corpus publié dans le suplément culturel de Notícias de Cabo Verde.
Il obtient un prix de poésie à l'occasion d'un concours initié par le journal portugais Diario popular. et il semblerait qu'il ait été traduit en russe, en plus du français et de l'italien.
Malgré cette discrétion, si l'on peut dire, il est un des poètes capverdiens les plus appréciés, grâce à une poèsie immédiate et profonde.

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Composition de Ligne do horizonte  (1951 / 2014)

  • Círculo
  • Revolta
  • Identidade
  • Lenga-Lenga
  • Intervalo
  • Nocturno do Bairro Pobre
  • Amor distante
  • Taberna à Beira-Mar
  • Divisão
  • Furtaram-me tudo!
  • Poeta e povo
  • Vagabundo das estradas
  • Metamorfose
  • Esperança
  • Viela do fado e da morte
  • Mãe negra
  • Sensibilidade
  • Interrogação
  • Choro na noite
  • Pedido de perdão
  • Poeta
  • Teu drama
  • Oportunidade perdida
  • O romance cor-de-rosa
  • Vigília
  • Magia negra
  • Poema vazio
  • Nova poesia
  • Pela estrada longa da minha esperança


MÃE NEGRA

A mãe negra embala o filho.

Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.

Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.

É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.

No céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco, não há preto,
Náo há vermelho e amarelo.
- Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.

A mãe negra não tem casa
Nem carinhos de ninguém...
A mãe negra é triste, triste,
E tem um filho nos braços...

Mas olha o céu estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade...

Linha do horizonte: poesia, Lisboa, 2014, p. 42-43

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TABERNA A BEIRA-MAR

Uma luzinho distante
E um farol cuspindo luz
Na cara nega da noite, 

Tudo é salgado e saudoso.

Ventos com ondas às costas
Fazem tremer a taberna,
Que é um navio ancorado.

Amor intenso e brutal
Entre navalhas abertas
E o desleixo
De uma rameira entre os braços.

Andam no ar desesperos
Em densos rolos de fumo.

Garrafas, copos, garrafas...
- Ai! a sede do marinheiro...

Tatuagens picando a pele
Gritam a dor e a bravura
Das aventuras nos portos.

Gente de todas as raças, 
Gente sem pátria  e sem nome
- Apenas gente do mar
Com voz de sal e de vento
E barcos nos olhos líquidos.

Entram o Tédio e a Saudade
Mordendo velhos cachimbos...
Entram a saem depois
Levando, aos tombos, um bêbedo.

Baralhos, mesas e bancos,
Garrafas, copos, garrafas
E a cara do taberneiro
Instigam a velhas revoltas.

E tudo cheio de vícios
E tudo cheio de sono
E tudo cheio de mar!

Linha do horizonte: poesia, Lisboa, 2014, p. 23-25



LE BISTROT DU LITORAL

Une petite lueur lointaine
Un phare crachotant ses feux
Sur la face noire de la nuit.

Tout est de sel et de chagrin

Les vents et le ressac sur l'échine
Font trembler le bistrot
Ce n'est qu'un navire à l'ancre.

Amour intense et brutal
Parmi les couteaux ouverts
Et l'abandon
D'une fille entre les bras.

Des désespoirs traînent dans l'air
A travers des ronds de fumée lourde.

Bouteilles, verres, bouteilles, 
- Ah quelle soif, les matelots...

Le tatouage piquant la peau
Crie la douleur et la témérité
Des aventures dans les ports.

Hommes de toutes races
Hommes sans patrie et sans nom
- Simplement gens de mer
A la voix de sel et de vent
Et des vaisseaux dans le regard mouillé.

Arrivent l'ennui et le chagrin
mordillant de vieilles pipes
ils arrivent et s'en vont
en emmenant - en trébuchant - un homme ivre.

Cartes, tables et bancs
Bouteilles, verres, bouteilles
Le visage du patron
Réveillent d'anciennes révoltes.

Tout est pourri de vices
Tout est pourri de rêves
Tout est pourri par la mer!

Mario Andrade, La poésie africaine d'expression portugaise, Honfleur, 1969, p. 43-44

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Bibliographie


Oeuvres

  • Linha do horizonte, Lisboa: Secção de Cabo Verde da Casa dos estudantes do Império, 1951, 67 p., 21 cm.; reprint: Linha do horizonte, Lisboa: União das Cidades capitais de língua portuguesa (UCCLA), 2014, 80 p.: tiré à part gratuit du journal SOL  imprimé à 45'000 exemplaires (web)

Périodiques

  • "Ambiente", Estudos ultramarinos: literaturas e arte, n° 3 (1959), p. 208
  • "Feriado", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano X, n° 109 (10/1958), p. 18
  • "Ilha", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano IX, n° 105 (06/1958), p. 19
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 8 (05/1958):
  1. "Herança", p. 30-31
  2. "Estiagem", p. 31
  3. "Presença do amigo morto (encontraram-no morto, dependurado de uma trave, na Matiota)", p. 32
  • "Noite", Cabo Verde: boletim de propagande e informação, ano IX, n° 100 (01/1958), p. 4
  • "Poema sem título", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano VIII, n° 93 (06/1957), p. 19
  • "Identidade", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano IV, n° 37 (1952), p. 15
  • "Cenário e chuva", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano III, n° 35 (1952), p. 4
  • "Sensibilidade", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano II, n° 18 (1951), p. 15
  • "A mocidade cabo-verdiana e a educação física", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano II, n° 17 (1951), p. 24
  • "Sonho", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano II, n° 15 (1950), p. 8
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 7 (12/1949):
  1. "Momento", p. 27-28
  2. "Poeta e povo", p. 28
  3. "Perdida", p. 29
  • "Estagiem", Mensagem: boletim da Casa dos estudantes do Império, n° 7 (1949réédition: Manuel Ferreira, Mensagem..., 1992), p. n/a; 
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 6 (07/1948):
  1. "Sensibilidade", p. 11-12
  2. "Esperança", p. 12-13
  3. "História bíblica dos homens", p. 41
  • Atlântico: revista luso-brasileira, nova série, n° 7 (1948):
  1. "Círculo", p. 87
  2. "Mãe negra", p. 88-89
  • "Ouve mamã", Mundo literario: semanário de crítica e informação, n" 50 (19/04/1947), p. 7  (web)
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 5 (09/1947)
  1. "Metamorfose", p. 17
  2. "Oportunidade perdida", p. 18
  • "Furtaram-me tudo!", Seara nova: revista de doutrina e crítica, n° 972 (30/03/1946), p. 197  (web)
  • "O Caboverdeano visto por um Caboverdeano", Mensagem: boletim da Casa dos estudantes do Império, n° 5 (194-réédition: Manuel Ferreira, Mensagem..., 1992), p. n/a
  • "Terra morta", Mensagem: boletim da Casa dos estudantes do império  (Lisboa), ano III, n° 3 (194-; réédition: Manuel Ferreira, Mensagem..., 1992), p. n/a
  • "Identidade", Mensagem: boletim da Casa dos estudantes do império  (Lisboa), ano I, n° 4 (194-réédition: Manuel Ferreira, Mensagem..., 1992), p. n/a

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • (IT) Roberto Francavilla / Maria R. Turano (ed.), Isole di poesia: antologia di poeti capoverdiani, Lecce: Argo, 1999:
  1. "Magia negra", p. 67-68
  2. "Pianto nella note", p. 68-69
  3. "Ereditá", p. 69-70
  4. "Taverna in riva al mare", p. 70-72
  5. "Siccità", p. 72
  • Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco (ed.), Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX, vol. II: Cap Vert, Rio de Janeiro: UFRJ, 1999:
  1. "Herança", p. 58-59
  2. "Taberna à beira-mar", p. 59-60
  • "Mãe negra", in Salvato Trigo (ed.), Matrilíngua: antologia de autores de língua portuguesa, vol. II, Viana do Castelo: Câmara municipal de Viana do Castelo, 1997, p. 225
  • Lúcia Cechin (ed.), Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe: poesia e conto, Porto Alegre (Brasil): UFRGS, 1986:
  1. "Herança", p. 13
  2. "Mãe negra", p. 14
  3. "Magia negra", p. 15
  4. "Nova poesia", p. 16
  • Manuel Fereira (ed.), No reino de Caliban: antologia panorãmica da poesia africana de expressão portuguesa  (vol. I: Cabo Verde / Guinée Bissau), Lisboa: Seara Nova, 1975 (3e édition 1988):
  1. "Herança", p. 158-159 (1988: p. 152-153)
  2. "Revolta", p. 160-161 (1988: p. 154-155)
  3. "A ilha, o luar e a solidão", p. 161 (1988: p. 155)
  4. "Taberna à beira-mar", p. 162 (1988: p. 156)
  5. "Mãe negra", p. 163 (1988: p. 157)
  6. "Teu drama", p. 164 (1988: p. 157-158)
  7. "Magia negra", p. 165 (1988: p. 159)
  8. "Nova poesia", p. 165-166 (1988: p. 159-160)
  9. "Estagiem", p. 166 (1988: p. 160)
  10. "Pela estrada longa da minha esperança...", p. 167 (1988: p. 161)
  • Mário de Andrade (ed.), Antologia temática da poesia africana  (vol. I: Na noite grávida dos punhais), Lisboa: Sá da Costa, 1975:
  1. "Estagiem", p. 42-43
  2. "Poeta e povo", p. 44
  • (FR) "Le bistrot du litoral", in Mario de Andrade (ed.), La poésie africaine d'expression portugaise, Honfleur: ed. Pierre Jean Oswald, 1969, p. 43-44
  • Mário de Andrade (ed.), Literatura afrícana de expressão portuguesa, vol. 1: poesia, Alger (Algérie): n/a, 1967:
  1. "Estagiem", p. 29-30
  2. "Poeta e povo", p. 31
  • "Canção dos rapazes da ilha", in Luís Forjaz Trigueiros (ed.), Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor: o Ultramar português, Lisboa: Livraria Bertrand, 1963, p. 73-74
  • (GB) "Tavern by the Sea" (Taberna à Beira-mar), in Gerald Moore / Ulli Beier (ed.), Modern Poetry from Africa, London: Penguin Books, 06/1963, p. 135-136  (web)
  • Jaime de Figueiredo (ed.), Modernos poetas cabo-verdianos: antologia, Praia: Edições Henriquinas Achamento de Cabo Verde, 1961:
  1. "Sensibilidade", p. 87-88
  2. "Poema sem título", p. 89-90
  3. "Canção dos rapazes da ilha", p. 91-92
  4. "Terra morta", p. 93-94
Traductions en russe: A VERIFIER
Poeziia Afriki: Biblioteka Vsemirnoi literatury, vol. 131. Moscow, 1973
[Stikhi.] In the collection Zdes’ i trava roditsia krasnoi, Moscow, 1967
[Stikhi.] In the collection Vzgliadom serdtsa, Moscow, 1961
Reference
Riauzova, E. A. Portugaloiazychnye literatury Afriki. Moscow, 1972
https://encyclopedia2.thefreedictionary.com/Aguinaldo+Brito+Fonseca

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Etudes critiques


  • "Linha do horizonte  e Aguinaldo Fonseca", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano III, n° 28 (1952), p. 30-32
  • "Linha do horizonte (recension)", Arvore: folhas de poesia, 1o fasciculo, outono de 1951, p. n/a
"Furtaram-me tudo!", Seara nova, n° 972 (30/03/1946), p. 197
"Ouve mamã", Mundo literario, n" 50 (19/04/1947), p. 7