Ovídio de Sousa MARTINS
(1928 - 1999)

Biographie

Ovídio Sousa Martins est né le 17 septembre 1928 à Mindelo et meurt le 29 avril 1999 à Lisbonne, à l'âge de 70 ans.
Fils d'Adélia Maria da Conceição Sousa (1896-1980) et de Belarmino Estanislau Pinto Martins (1895-), il épouse Maria Joana Rodrigues, dont il aura au moins un fils, Luís Carlos.
Après de études au Lycée Gil Eanes, il entame un cursus en Droit à l'Université de Lisbonne, mais ne l'achève pas, semble-t-il à cause d'un problème auditif.
Il vit à Lisbonne jusqu'en 1973. Antifasciste convaincu et militant, il est persécuté par la PIDE, si bien qu'il s'exile à Amsterdam jusqu'à la Révolution du 25 avril 1974, date à laquelle il retourne au Cap Vert.
Il entre alors dans la fonction publique, au Ministère de l'Education.


Il occupe le siège n° 30 des Patronos / Imortais da Academia Cabo-verdiana de Letras, fondée en 2013.

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Oeuvre littéraire


Ovídio Martins est un poète qui écrit aussi bien en portugais qu'en créole.
Il collabore à de nombreux périodiques capverdiens ou lusophones tels que Claridade, Cabo Verde, Novo Jornal de Cabo Verde, Voz di povo, Ráizes, Ponto e virgula, Vértice, Mensagem (CEI), Jornal de Notícias, Notícias do Imbondeiro  etc., et aussi à de journaux belges, tel que le Journal des poètes.
Il publie quatre recueils de contes ou de poésie.

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Structure de Caminhada  (1962)

  • Não me aprisionem os gestos
  • O único impossível
  • Flagelados do vento leste
  • Tua ausência
  • Ignoto Deo
  • Recuperação
  • Seca
  • Poema
  • Poema salgado
  • Comunhão
  • Labirinto
  • Anti-evasão
  • Voz patrícia
  • Da vida e da morte dos teus beijos
  • Pedido de perdão divino
  • Brinquedo de luxo
  • Nostalgia
  • Teus olhos
  • No romper de 1958
  • A palavra que eu não disse
  • Uma manhã prometeu-me
  • Minha dor
  • A noite de ouro
  • Desafio
  • Poema
  • Descoberta
  • Para além do desespero
  • Deseperança
  • Porquê?
  • Chuva em Cabo Verde
  • In memoriam de Belarmino de nhô Talef




CAMINHO DA PERDICÃO
  • Caminho longe
  • Alerta
  • Serviçal
  • Consolança
  • Canta amigo
  • Voltarás serviçal
  • A noite de S. Tomé
  • Emigração
  • Queixume

CAMIN CRIOL
  • Liberdade
  • Nôs môrte
  • Hora
  • Nô ta bá junte
  • Cantá nha Pove
  • Cretcheu
  • Um spada na mon
  • Sone tranquil
  • Comparaçon
  • Brincadêra
  • Conciénça
  • 'n sabê la!
  • Um r'bêra pa mar
  • Dstine
  • Morabeza
 

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ANTI-EVASÃO
                    Ao camarada poeta
                    Jo ã o Vá r i o


Pedirei
Suplicarei
Chorarei
          Não vou para Pasárgada
Atirar-me-ei ao chão
e prenderei nas mão convulsas
ervas e pedras de sangue
          Não vou para Pasárgada
Gritarei
Berrarei
Matarei
Não vou para Pasárgada

Caminhada, 1962


POEMA SALGADO
 
Eu nasci na ponta-da-praia
por isso trago dentro de mim
         todos os mares do mundo
 
Meu correio são as ondas
que me trazem e levam
recados e segredos
 
E meus bilhetes
(meus bilhetinhos de saudade)
são suspiros salgados
que as sereias recolhem
da crista das ondas
 
Nas conchas e búzios
de todos os mares do mundo
ficaram encerradas
minhas canções de amor
 
Que eu nasci na ponta-da-praia
Por isso trago dentro de mim
​          todos os mares do Mundo.


Caminhada, 1962

CHUVA EM CABO VERDE

Choveu
          Festa na terra
          Festa nas Ilhas
     Soluçam os violinos choram os violões
     nos dedos rápidos dos tocadores
          «Dança morena
          dança mulata
     menininha sabe como vocês não tem»
     E elas sabinhas
          dão co’as cadeiras
          dão co’as cadeiras
Choveu
          Festa na terra
          Festa nas Ilhas
     Já tem milho pa cachupa
     Já tem milho pa cuscus
     Nas ruas nos terreiros
          por toda banda
     as mornas unem os pares
     nos bailes nacionais
          Mornas e sambas
          mornas e marchas
          mornas mornadas
Choveu
          Festa na terra
          Festa nas Ilhas
     que cantam e dançam
   e riem e choram de contentamento
    Soluçam os violinos choram os violões
     nos dedos rápidos dos tocadores
          «Dança morena
          dança mulata
     menininha sabe como vocês não tem»
     E elas sabinhas
          dão co’as cadeiras
          dão co’as cadeiras
          dão co’as cadeiras

Caminhada, 1962

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UNIDOS VENCEREMOS

Estendemos as mãos
desesperadamente estendemos as mãos
          por sobre o mar
As ondas não sâo muros
são laços
de sargaços
que servirão de leito
à grande madrugada
Nosso amor de liberdade
                    e de justiça
será contemplado
e o nosso povo terá direito ao pão
Povo que trabalha
                    mas não come
Povo que sonha
                    o obterá
Temos a ternura das nosses ilhas
temos a certeza das nosses rochas
Estendemos as mãos
desesperadamente estendemos as mãos
caboverdianamente estendemos as mãos
                    por sobre o mar

Griderei berrarei matarei - Não vou para Pasárgada, 1973


Bibliographie


Oeuvres

  • Gritarei, berrarei, matarei, não vou para passárgada, Praia: Instituto de promoção cultural, 1998, 129 p.
  • Tutchinha, Praia: Grafedito, 1984, 27 p., 17 cm. (coll. Dragoeiro, n° 1)
  • Independência, Praia: Instituto cabo-verdiano do livro, 1983, 116 p., 20 cm.
  • Caminhada, Lisboa: Casa dos estudantes do Império (CEI), 1963, 79 p., 19 cm.; reprint: Lisboa: União das Cidades capitais de língua portuguesa, 2015  (web)
  • Caminhada, Lisboa: s.n., 1962, 79 p., 16 cm. (coll. Autores ultramarinos, série literatura, n° 13)
  • Tutchinha, Sá da Bandeira (Angola): Publicações Imbondeiro, 1962, 26 p., 17 cm.  (coll. Imbondeiro, n° 30)

Périodiques

  • "A noite de ouro", Mensagem: boletim da Casa dos estudantes do Império, ano II, n° 3 (1992), p. n/a
  • Raízes, n° 1 (01-04/1977):
  1. "Ilha a ilha", p. 70-71
  2. "Lucifero I-II", p. 71-72
  3. "Hoje o pão e o pilão", p. 72
  4. "Os vencedores", p. 73
  • "Os homens e a montanha", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano XII, n° 144 (09/1961), p. 15
  • "In memoriam de Belarmino de nhô Talef", Garcia de Orta: revista da Junta das missões geográficas e de investigações do Ultramar, vol. IX, n° 1 (1961), p. 162
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 9 (1960):
  1. "In memoriam de Belarmino de Nhô Talef", p. 34
  2. "Desesperança", p. 35
  • "Labirinto", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano X, n° 112 (01/1959), p. 20-21
  • "Tutchinha", Revista agrícola, ano I, n° 9 (06/1959), p. 17-20
  • Suplemento Cultural - Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, n° 1 (10/1958):
  1. "O único impossível (para Balthasar Lopes)", p. 54
  2. "Pedido de perdão divino", p. 55
  3. "Para alem do desespero (para Carlos Alberto Monteiro Leite)", p. 56
  • Claridade: revista de arte e letras, n° 8 (05/1958):
  1. "Não me aprisionem os gestos", p. 28-29
  2. "Ignoto Deo", p. 29
  3. "Porquê?", p. 30

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • Erica Antunes Pereira / Maria de Fátima Fernandes / Simone Caputo Gomes (ed.), Cabo Verde, 100 poemas escolhidos, Praia: Ed. Pedro Cardoso, 2016:
  1. "Anti-evasão", p. 73
  2. "Flagelados do vento leste", p. 74
  3. "Poema salgado", p. 75 
  • "Anti-evasão", in Silvie Spánková (ed.), Literaturas africanas de l'ingua portuguesa I. Antologia de textos literários, Brno (Tchèquie): Masarykova univerzita, 2014, p. 101
  • (IT) Roberto Francavilla / Maria R. Turano (ed.), Isole di poesia: antologia di poeti capoverdiani, Lecce: Argo, 04/1999:
  1. "I flagellati del vento dell'est" (Flagelados do vento leste), p. 79-80
  2. "Tempo cabo-verdiano", p. 80
  • Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco (ed.), Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX, vol. II: Cap Vert, Rio de Janeiro: UFRJ, 1999:
  1. "Adiado o tempo para amar", p. 67-68
  2. "Unidos venceremos", p. 68
  3. "Caminho longe", p. 69
  4. "Flagelados do vento leste", p. 69-70
  5. "Ilha a ilha", p. 70-72
  6. "Sonho-certeza", p. 72-73
  • "Anti-evasão", in Salvato Trigo (ed.), Matrilíngua: antologia de autores de língua portuguesa, vol. II, Viana do Castelo: Câmara municipal de Viana do Castelo, 1997, p. 227
  • (FR) "Damnés du vent d'est", in Poésie d'Afrique au sud du Sahara 1945-1995. Anthologie composée et présentée par Bernard Magnier, Arles: Actes Sud / Ed. Unesco, 1995, p. 155-156 (trad. Michel Laban)
  • (FR) Poésie 94, n° 52 (04/1994):
  1. "Nous sommes les damnés du vent d'est", p.93-94
  2. "In memoriam Belarmino de Nhô Talef", p. 94
  • (GB) "Anti-evasion / Anti-evasão", in Don Burness (ed.), A Horse of White Clouds. Poems from lusophone Africa, Ohio: Ohio University Press, 1989, p. 116-117
  • Lúcia Cechin (ed.), Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe: poesia e conto, Porto Alegre (Brasil): UFRGS, 1986:
  1. "Seca", p. 75
  2. "Adiado o tempo para amar", p. 76
  3. "O único impossível", p. 77
  4. "Os flagelados do vento leste", p. 78
  5. "Anti-evasão", p. 79
  6. "Tempo cabo-verdiano", p. 79
  7. "Unidos venceremos", p. 80
  • Luís Romano (ed.), Contravento. Antologia bilingue de poesia cabo-verdiana, Taunton (MA / USA): Atlantis Publishers, 1982:
  1. "Sodade de bô / Saudades tuas", p. 280-281
  2. "Nos terra ta conchêne drete / Nossa terra nos conhece bem", p. 282-283
  3. "Naquel nôte / Naquela noite", p. 284-285
  4. "Um cosa sabe / Uma delícia", p. 286-289
  5. "Desusper - sperança - certéza / Desespero - esperança - certeza", p. 290-291
  6. "Cantá nha pove / Canta meu povo", p. 292-293
  • Textos africanos de expressão portuguesa, Luanda: Ministério da Educação, [198-]:
  1. "Tua ausência", p. 56
  2. "Aviso", p. 86-87
  3. "Alerta", p. 129
  • Mário de Andrade (ed.), Antologia temática da poesia africana  (vol. II: O canto armado), Lisboa: Sá da Costa, 1979:
  1. "Sonho-certeza", p. 138
  2. "Caminha saudade", p. 139-140
  3. "Caboverdianamente", p. 141
  4. "Unidos venceremos", p. 142
  • "Introdução", in Jogos florais 12 de Setembro, Praia: Instituto cabo-verdiano do livro, 1976, p. n/a
  • Mário de Andrade (ed.), Antologia temática da poesia africana  (vol. I: Na noite grávida dos punhais), Lisboa: Sá da Costa, 1975:
  1. "Seca", p. 45
  2. "Flagelados do vento leste", p. 46-47 
  3. "Anti-evasão", p. 48
  4. "Caminho longe", p. 232
  5. "Voltaras serviçal", p. 233
  6. "Emigração", p. 234
  7. "Aviso", p. 235
  • Serafim Ferreira (org.), Resistência africana (antologia poética), Lisboa: Edição di Abril, 1975:
  1. "Caboverdianamente", p. 108
  2. "Reis da baía", p. 109
  3. "Adiado o tempo para amar", p. 110
  • Manuel Fereira (ed.), No reino de Caliban: antologia panorãmica da poesia africana de expressão portuguesa  (vol. I: Cabo Verde / Guinée-Bissau), Lisboa: Seara Nova, 1975 (3a ed. 1988):
  1. "Flagelados do vento leste", p. 180; 1988, p. 174
  2. "Terra dos meus amores", p. 181; 1988, p. 175
  3. "O Único impossivel", p. 181-182; 1988, p. 175-176
  4. "Reis da Baía", p. 182-183; 1988, p. 176-177
  5. "Seca", p. 183-184; 1988, p. 177-178
  6. "Chuva em Cabo Verde", p. 184-185; 1988, p. 178-179
  7. "Adiado o tempo para amar", p. 185; 1988, p. 179
  8. "Anti-evasão", p. 186; 1988, p. 180
  9. "Tempo cabo-verdiano", p. 186; 1988, p. 180
  10. "Unidos venceremos", p. 187; 1988, p. 181
  11. "Liberdade", p. 304; 1988, p. 298
  12. "Hora", 304; 1988, p. 298
  • Francisco Fragoso (ed.), Renunciando Pasárgada, Korbeek (Belgique): edição do autor, 1974:
  1. "Anti-evasão", p. 29
  2. "Aviso", p. 30
  3. "Não consentiremos", p. 31
  • "Tutchinha", in Amândio César (ed.), Contos portugueses do Ultramar: antologia, Porto: Portucalense editora, vol. 1, 1969, p. 115-126
  • (FR) Mario de Andrade (ed.), La poésie africaine d'expression portugaise, Honfleur: ed. Pierre Jean Oswald, 1969:
  1. "Poème de sel" (Poema salgado), p. 53-54
  2. "Anti-évasion" (Anti-evasão), p. 54
  3. "Emigration" (?), p. 55
  • ​Mário de Andrade (ed.), Literatura afrícana de expressão portuguesa, vol. 1: poesia, Alger (Algérie): n/a, 1967 (reprint: Lendeln: Kraus Reprint, 1970):
  1. "Seca", p. 32-33
  2. "Flagelados do vento leste", p. 34-35
  3. "Anti-evasão", p. 36
  4. "Aviso", p. 215
  5. "Emigração", p. 249
  6. "Caminho longe", p. 250
  • "Poema salgado", in Luís Forjaz Trigueiros (ed.), Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor: o Ultramar português, Lisboa: Livraria Bertrand, 1963, p. 82
  • Mákua: antologia poética 2, Luanda: Publicações Imbondeiro, 1963:
  1. "Caboverdianamente", p. n/a
  2. "Medo", p. n/a
  3. "Reis da baía", p. n/a
  4. "Adiado o tempo para amar", p. n/a
  • Jaime de Figueiredo (ed.), Modernos poetas cabo-verdianos: antologia, Praia: Edições Henriquinas Achamento de Cabo Verde, 1961:
  1. "Porquê?", p. 131
  2. "Poema", p. 132
  3. "Para além do desespero", p. 133-134
  4. "Labirinto", p. 135
  5. "Poema salgado", p. 136
  6. "Desesperança", p. 137
  • (FR) "Poème de sel", Les lettres françaises, n° 836 (04-17/08/1960), p. n/a
  • (FR) "Poème de sel", Le journal des poètes, 9e année, n° 9 (11/1959), p. 6

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Etudes critiques


  • Sidnei Schneider, "Ovídio Martins: Não vou para Pasárgada!", Hora do povo, 01/02/2017, en ligne  (web)
  • Ana Cristina Câmara, "Poeta insubmisso - Ovídio Martins", Sol, n° n/a (30/01/2015), p. 35   (web)
  • "Ovídio Martins, poeta e ativista cabo-verdiano, vai ser homenageado em Lisboa", RTP Notícias, 12/09/2011, en ligne  (web)
  • Ricardo Silva Ramos de Souza, "Ovídio Martins - Desesperadamente cabo-verdiano", A nação, n° n/a (13/05/2010), p. 38
  • Dominique Stoenesco, "Ovídio Martins, poeta e militante cabo-verdiano", in Françoise Massa (ed.), Cap Vert: 25 ans, Rennes: Universtié Rennes 2, 2000, p. 137-145
  • A semana, ano IV, n° 401 (1999):
  1. Carlos Reis, "Em memória de Ovídio Martins", p. 2
  2. Jorge Querido, "Recordando Ovídio Martins", p. 3
  • "Estudantes do ISE homenageiam Ovídio Martins", Horizonte, ano I, n° 19 (1999), p. 5
  • Pierrette et Gérard Chalendar, "Ovídio Martins", Estudos portugueses e africanos, n° 29 (1997), p. 45-54
  • Alberto Carvalho, "Tchutchinha  de Ovídio Martins", África: literatura, arte e cultura, n° 12 (1985-1986), p. 96-97
  • António Jacinto, "Para Ovídio Martins", Lavra e oficina  (Luanda), n° 25-27 (1980), p. 11

Tutchinha

(1962)

Griterei...

(1973)

Caminhada...

(reprint 2015)