Vasco MARTINS
né en 1956

Biographie


Vasco Jorge Coelho de Oliveira Martins, plus connu sous le nom de Vasco Martins, est né en 1956 à Lisbonne, de père capverdien et de mère portugaise. Il se marie ave Margarida Barnabé Lima Brito, dont il a deux enfants: Vamar et Mara.
A 9 ans, il effectue un voyage au Cap Vert, sur l'île de São Vicente, où il finit par vivre.
A 12 ans, il apprend le piano, puis, en autodidacte, il se lance dans la maîtrise de la guitare et de la composition.
Finalement, après un cursus scolaire normal et un diplôme obtenu au Conservatoire municipal de Noisy-le-Sec, en France, Vasco Martins, multi-instrumentiste, devient un compositeur professionnel. Il touche aussi bien à la musique classique qu'il étudie attentivement entre 1979 et 1981 avec Fernando Lopes Graça, qu'à la musique traditionnelle capverdienne (il étudie particulièrement la morna à laquelle il dédiera un livre) ou encore de musique électronique.
On lui connaît pas moins de 19 albums édités entre 1979 et 2014  (web), et 8 symphonies écrites à partir de 1995.
Dans le même temps que cette passion frénétique, il s'adonne à l'écriture, navigant entre poésie et fiction.
Voir sa biographie "officielle" sur le site http://oficialvascomartins.tripod.com/biografia.htm.

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(Nos Genti)

Oeuvres littéraires


L'essentiel de la production littéraire de Vasco Martins se situe entre 1985, où il publie une étude sur la morna, et 1993, date de la parution de son dernier ouvrage de fiction, Tempos da Moral moral, réédité trois ans plus tard au Portugal. Entre les deux, il navigue sur les rivages de la fiction et de la poésie.
Durant la même période, il collabore avec des périodiques capverdiens tels que Ponto e vírgula, Artiletra, Fragmentos, Voz di povo  ou encore A semana.
Il reprend la plume en 2015-2016 pour offrir un recueil de textes de sa main, ainsi qu'une étude sur Césaria Evora co-écrite avec Tchalé Figueira.
​Mais sa passion reste la musique, à laquelle il consacre l'essentiel de son énergie.

A noter que Vasco Martins a plusieurs homonymes écrivains, dont un actif dans les années 1950 et un autre en Angola.

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A CANCÃO DE UM MESTRE DO SOM

Sou um mestre do som
Ouço o vento
Ouço o vento por entre as rochas vulcânicas
Ouço o vento sussurrando sobre as ervas
Ouço o canto dos grilos à tardinha
Ouço o canto vertical das calhandras raras
Celebro a noite sideral tocando singing bowls do Nepal
Ouço o canto das águias-do-mar
Conheço todos os cantos das águias-do-mar Ouço o
assobio virtuoso de um pastor de cabras Ouço o white
noise do oceano
Procuro fonolitos toco neles percutindo pedras
Ouço o misterioso canto dos pássaro nas falésias nocturnas
Ouço o pink nois da trovoada seca
Ouço a canção do meu ser
Ouço o sussurro do magnetismo terrestre
Sou um mestre do som
Ouço a canção do teu ser
Ouço os harmónicos da minha cana de bambu sibilando com o vento
Componho em mim a generosa sinfonia do mundo
Intraduzível nas pautas
Suficientemente audível
Como o adejar das asas de uma borboleta
Como um borboleta voando por cima das vagas
Como o inconstante silêncio das nuvens
Sou um mestre do som
Ouço o vento
Ouço o vento por entre as rochas vulcânicas
Ouço o vento sussurrando sobre as ervas
Ouço o canto dos grilos à tardinha
Ouço o canto vertical das calhandras raras Celebro a
noite sideral tocando singing bowls do Nepal
Ouço o canto das águias-do-mar
Conheço todos os cantos das águias-do-mar
Ouço o assobio virtuoso de um pastor de cabras
Ouço o white nois do oceano
Procuro fonolitos toco neles percutindo pedras
Ouço o misterioso canto dos pássaros nas falésias nocturnas
Ouço o pink noise da trovoada seca
Ouço a canção do meu ser
Ouço o sussurro do magnetismo terrestre
Sou um mestre do som
Ouço a canção do teu ser
Ouço os harmónicos da minha cana de bambu sibilando com o vento
Componho em mim a generosa sinfonia do mundo
Intraduzível nas pautas
Suficientemente audível
Como o adejar das asas de uma borboleta
Como uma borboleta voando por cima das vagas
Como o inconstante silêncio das nuvens

in Revista Africa e Afrícanidades, ano IV, n° 13 (05/2011), p. 133​

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(sans titre)

O homem do mar
olhos secos
cabelos de sal
olhou o mundo
e disse:
o mundo é uma mulher
a minha ilha
o seu seio
o mar as suas lágrimas
e eu,
cabelos de sal,
a aventura do mito.
O homem da terra
fronte aberta
cabelos de rocha
olhou o mundo
e disse:
o mundo é uma mulher
a minha ilha
o seu seio
a terra o seu ventre
e eu,
cabelos de rocha,
a aventura do mito.

in Mirabilis, 1998, p. 548

*****
(sans titre)

Manhã submersa
em palavras que dissemos
nos momentos
deste amor escondido
Manhã submersa
em lembranças frágeis
deste amor escondito
que esconde mais do que tudo
a delicada leveza de sermos dois
despertando
nesta manhã submersa
acordarmos através desta bruma
da memória
e sonharmos ainda escondidamente
o modo como beijamos
para sermos um só nesta manhã.

in Mirabilis, 1998, p. 545

Bibliographie


Oeuvres

  • Cabo Verde Ressonâncias, vol. I: a morna, estudos adjutórios, Praia: Livraria Pedro Cardoso, 09/2018, 100 p., 21 cm.
  • Sinfonias, Mindelo: Ilhéu Editora, 03/2016, 67 p.
  • V.M. / Tchalé Figueira, Cesária: a rota da lua vagabunda, Coimbra: Associação da Orquestra clássica do centro, 2015, 47 p., 17 cm.
  • Run shan, 2008, n/a
  • Tempos da Moral moral, Lisboa: Vega, 1996, 187 p., 21 cm. (coll. Palavra africana)
  • Tempos da Moral moral: romance, Mindelo: Ilhéu Editora - Ed. do autor, 01/1993, 182 p. (coll. Estóreas)
  • A verdadeira dimensão, Lisboa: ALAC, 1990, 148 p., 21 cm. (coll. Juntamon, n° 3: roman)
  • Temas de uma cultura: variações sobre a origem da morna, Lisboa: Comissão nacional para a s Comemorações dos descobrimentos portugueses, 1990, 3 p.
  • Navegam os olhares com o voo do pássaro, Praia: Instituto cabo-verdiano do Livro (ICL), 1989, 75 p. (coll. Poesia)
  • Diálogo poético sobre a música, Praia: ICL, 1987, n.p. (4 f.), 29 cm.
  • Diálogo poético sobre a música, Mindelo: Ed. do autor, 1987, 75 p.
  • Universo da ilha, Praia: ICL, 1986, n.p. (40 f.), 28 cm. (coll. Poesia, n° 3 / ill. Luísa Figueira)
  • S de Sonhos, n/a  (contes)
  • A música tradicional de Cabo Verde: a morna, Praia: ICLD, 1985, 183 p., 21 cm. (coll. Estudos e ensaios)
  • (?) 21 poemas sem título, s.l.: s.n., s.d., n/a p.

Périodiques

  • "s.t.", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano XXIV, n° 128-129 (04-05/2015), p. 2
  • "Ao Ildo Lobo", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano XIII, n° 61-62 (11-12/2004), p. 14
  • "Ninguém não vai sem ficar sem morrer ninguèm ressurge (Gabriel Mariano†)", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano X, n° 43-44 (03-04/2002), p. 3
  • "Cantos para ajudar a viver sem pasmaceira, numa ilha de 227km2, enquanto a Terra roda à volta do Sol, sem darmos por isso (extracto)", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano X, n° 42 (12/2001 - 01/2002), p. 25
  • "Félix Monteiro: um homem escondidamente terno", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano IX, n° 32-33 (01-02/2000), p. 13
  • "s.t.", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano VIII, n° 29 (05-06/1999), p. 2
  • "A deriva cultural (11)", A semana, ano IV, n° 173 (1994), p. 12
  • "A morna de Eugénio Tavares: uma breve aproximação musicológica e poética", Artiletra, ano III, n° 16-17 (1994), p. 6
  • (FR) "Manuel Figueira", Revue noire, n° 10 (09-11/1993), p. 40-41
  • "Variações sobre a origem da morna", Oceanos, n° 5 (11/1990), p. 94-96
  • "... A arte está bem cotada: para quando em Cabo Verde", Notícias, ano II, n° 23 (1989), p. 20
  • "A música e os tempo", Voz di povo, ano XI, n° 558 (1986), supl. p. 2
  • "Morna-Música da terra", Voz di povo, ano XI, n° 516 (1986), p. 7
  • "O sintetizador: o instrumento do século", Voz di letra  (supl. Voz di povo), n° 10 (1986), p. 9
  • "Para quando um trabalho de base sobre a morna", Ponto e vírgula: revista de intercâmbio cultural, n° 10-11 (1984), p. 52-54
  • "A morna como forma musical", Ponto e vírgula: revista de intercâmbio cultural, n° 7 (1984), p. 21-23 
  • "Um pouco de história da morna e sua evolução", Ponto e vírgula: revista de intercâmbio cultural, n° 6 (1983), p. 46-48

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • Ricardo Riso (ed.), "Cabo Verde: antologia de poesia contemporânea", Revista Africa e Afrícanidades, ano IV, n° 13 (05/2011):
  1. "A canção de um mestre do som", p. 133
  2. "6 Haykus escritos numa peregrinação pela ilha depois das chuva de setembro", p. 134
  3. "Rascunho musical", p. 135
  4. "Monte Verde!", p. 136
  • "As viagens possíveis", in Francisco Fontes (ed.), Destino de Bai: antologia de poesia inédita cabo-verdiana, Coimbra: Saúde em português, 06/2008, p. 219-226
  • "Novembro", Francisco Fontes (ed.), Tchuba na desert: antologia do conto inédito cabo-verdiano, Coimbra: Saúda em português e Autores, 11/2006, p. 171-180  (web)
  • Vasco Martins, "Apeiron", Portuguese literary and cultural studies, n° 8 (2003 - Cape Verde: language, literature and music, sous la dir. Ana Mafalda Leite), p. 439-442  (​web)
  • "O homem do mar", in Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco (ed.), Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX, vol. II: Cap Vert, 1999, p. 136-137
  • José Luís Hoppfer Cordeiro Almada (ed.), Mirabilis de Veias ao Sol: antologia dos novíssimos poetas cabo-verdianos, Lisboa: Caminho, 1988 (2a ed. 1991 / 3a ed. 1998):
  1. "(sans titre) Um pássaro", p. 506; 1998, p. 544
  2. "(sans titre) Manhã submersa", p. 507; 1998, p. 545
  3. "Meus hábitos minha vida", p. 508; 1998, p. 546
  4. "(sans titre) Porque prostituis, noite", p. 509; 1998, p. 547
  5. "(sans titre) O homem do mar", p. 510; 1998, p. 548
  6. "(sans titre) Adormecem as aves da tarde", p. 511; 1998, p. 549
  • "9 poemas de uma prostituta a todas as prostitutas", Jogos florais 12 de Setembro, Praia: ICL, 1976:
  1. "Epílogo", p. 81-83
  2. "Meus hábitos, minha vida", p. 84
  3. "Amor afastado", p. 85
  4. "Simples desejo", p. 86
  5. "O meio da vida", p. 87
  6. "Verdadeira profecia", p. 88
  7. "Vergonha varrida", p. 89
  8. "A vitória da minha etapa", p. 90
  9. "Apoteose de um final", p. 91

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Etudes critiques


  • anonyme, "Vasco Martins: a genialidade de um progressista", Nos Genti, n° 17 (06/2012), en ligne  (web)
  • Ricardo Silva Ramos de Souza, "Vasco Martins - Run shan", A nação, n° n/a (27/05/2010), p. 16
  • A.D.P., "Vasco Martins: o músico, o escritor e a sua obra", A semana, ano VII, n° 306 (1997), p. 2
  • Vlademiro Romano, "A espiritualidade na música de Vasco Martins", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano VII, n° 25 (1997), p. 25
  • José Tavares Gomes, "Vasco Martins entre nas Danças de Câncer  sob os holofotes da RTP2", Novo jornal Cabo Verde, ano V, n° 495/169 (1997), p. 20
  • A. Jorge, "Vasco Martins: a necessidade crioula", Novo jornal Cabo Verde, ano IV, n° 417 (1996), p. 6
  • Júlio Lopes, "Vasco Martins: o grande músico do deserto", Novo jornal Cabo Verde, ano IV, n° 412/127 (1996), p. 14
  • Larissa Rodrigues, "Vasco Martins: o padrinho", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano IV, n° 19-20 (1995), p. 12
  • Tozé Barbosa, "Vasco Martins: a grande aventura da música (entrevista)", Notícias, ano I, n° 10 (1988), p. 10
  • Luís Tavares, "Vasco Martins ao "VP": entre a música e a poesia há a prioridade de fazer sonhar. Um espectáculo jamais visto", Voz di povo, ano XI, n° 564 (1986), p. 4-5
  • "Vasco Martins: o termo tradicional é um bocado ambígo (entrevista)", Voz di povo, ano XI, n° 516 (1986), supl. p. 6
  • Arménio Vieira, "A música de Vasco Martins", Voz di povo, ano III, n° 106 (1977), p. 9

Universo da ilha...

(1986)

Navegam...

(1989)

Verdadeira dimensao...

(1990)

Tempos da moral...

(1993)

Tempos da moral...

(1996)

Sinfonias

(2016)

Cabo Verde Ressonâncias

(2018)