Joao LOPES dos Santos
(1894 - 1979)

Biographie

En João Lopes dos Santos Figueiredo, plus connu sous le nom de João Lopes, est né en 1894 à Ribeira Brava, sur l'île de São Nicolau, et meurt le 6 novembre 1979 à Lisbonne, à l'âge de 85 ans.
Fils d'Ana da Encarnação Figueiredo et de Serafim Lopes dos Santos, il épouse Maria Amélia Ramos de Figueiredo, de Ribeira Brava, avec laquelle il aura un fils: João Lopes Filho.
Il passe l'essentiel de sa jeunesse sur son île natale où il poursuit un cursus scolaire normal à l'école Sr. Joaquim, puis au Séminaire-Lycée qu'il n'achève pas à cause du décès de sa mère survenu en 1910. João Lopes doit alors trouver un travail. Pour se faire, il émigre aux USA à bord d'un navire appartenant à un ami de la famille. Des années difficiles s'annocent, faute de parler la langue du pays d'accueil. Mais doté d'une grande intelligence, il développe une culture bien supérieure à la moyenne, plus en autodidacte que par les cours qui lui sont prodigués. Grâce à la rencontre d'un ancien élève du Séminaire-lycée, José Lisboa, il se lance dans la lecture des classiques de la littérature portugaise dont la Bibliothèque de New Bedford détient un important fond et il s'inscrit dans le même temps aux cours du soir pour émigrants. Le peu d'argent qu'il a en plus, il le dépense pour acheter des livres.
En 1920, atteint de la grippe espagnole, il est aux limites de la mort. A peine rétabli, il entreprend le voyage du retour, en partie grâce à l'aide de son père. Sa bilbiothèque le suit jusqu'à Mindelo, malgré la perte d'une partie de ses livres.
En 1928, il quitte Mindelo pour Praia, où il travaille en tant que journaliste.
Il retourne vivre un temps à São Nicolau, mais pauvre et malade, il finit par revenir vivre à Mindelo en 1943 où il travaille comme agent commercial, ce qui l'amène à voyager à travers l'archipel.
A l'âge de 60 ans, il suit un cours d'optique en Espagne et revient au Cap Vert soigné les gens.
Il décède atteint de la maladie de Parkinson.
Sa bibliothèque, elle, est lèguée à la Câmara de São Nicolau, mais laissée à l'abandon, elle a falli disparaître. Grâce a João de Deus Lopes da Silva, une partie des livres ont été sauvés et le nom de João Lopes a été donné à la bibliothèque municipale en hommage à son donateur.

Pour plus d'informations sur João Lopes, nous vous invitons à consulter le site rédiger par son fils, www.lopesfilho.com  (web)

Il occupe le siège n° 13 des Patronos / Imortais da Academia Cabo-verdiana de Letras, fondée en 2013.

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Oeuvres littéraires


João Lopes n'est pas un poète ni un romancier, mais plutôt un sociologue, un essaiste, un philosophe, un "agitateur des choses de l'esprit". Son oeuvre est avant tout "épistolaire" et journalistique.
En 1922, il fonde à Mindelo, les réunions du "Ciclo cultural", un groupe d'intellectuels locaux comprenant Jorge Barbosa, qui stoppe son aventure à la troisième réunion, João Lopes partant pour Praia. En 1928-1929, dans cette ville, il est co-rédacteur du journal Eco de Cabo Verde, avec Pedro Cardoso et Corsino Lopes, périodique dans lequel il publie des articles sur l'économie.
En 1936, il fait partie de l'aventure de Claridade, dont il devient alors directeur en mars 1937 (n° 3) jusqu'en 1960 (n° 9), Cependant, il fait partie de la génération antérieure et doit être plutôt classé parmi les pré-Claridosos.
Dans les années 1940, il est rédacteur du périodique Notícias de Cabo Verde.

Note: les nombreux homonymes, dont le propre fils de João Lopes, rendent l'établissement de sa bibliographie difficile.

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APONTAMENTO

Podemos considerar em Cabo Verde dois grupos de cultura, se não totalmente diferenciados, pelo menos com características que em parte lhes definem físionomia própria. E essa dualidade resulta, a meu ver, das bases econónico-agricolas em que assentou o teor de vida do arquipélago. Neste capítulo, dada a insuficiencia de materiais de estudo que permitam refazer a história económica e social das ilhas, temos de preencher as lacunas com ilações tiradas da situação actual e subsidiàriamente dos estudos levados a efeito no Brasil, para explicação do fenómeno brasileiro, em cuja integração actuaram os doís factores capitais da formação de Cabo Verde: o europeu e o afro-negro.
Na história económico-social de Cabo Verde dois regimes há a isolar: o latifundiário aplicado em S. Tiago, e o minimi-fundário aplicado nas outras ilhas, nomeadamente em Barlavento. Este facto foi prenhe de consequências.
O patriarcalismo agrário de S. Tiago, com os característicos morgadios, servidos por grandes propriedades, criou um tipo de civilização semelhante às zonas brasileiras de economia escravocrata à sombra das casas-grandes com os engenhos. Tipo feudal-agrícola. Menor compensaçõ e reciprocidade entre as duas classes, os senhores- os brancos - e os escravos. A escravidão mais acentuada, determinando no badio  de S. Tiago um complexo de inferioridade ainda hoje bem visível. Maior fidelidade, no badio, à origens africanas, aos seus ritmos originàrios. Sobrevivência mais viva, em S. Tiago, dos elementos sociais e folklóricos característicos do clima da servidão.
Por outro lado, S. Tiago foi durante muito tempo depósito de escravos que, caçados desde o equador até cêrca do paralelo 30, eram arrecadados no ilheu de Santa Maria para mais tarde serem transportados para o Brasil. A Companhia de Grão Pará e Maranhão teve ali o seu depósito, e ainda hoje nas histórias de malassombrados do ilheu de Santa Maria passam, palpitantes, ecos do drama colonial.
O badio, isolado, não beneficiou na mesma medida dos seus irmãos das outras ilhas das consequências da miescegenação e da interpenetração de culturas que marcaram a acção do colonizador português. S. Tiago é em parte um compartimento estanque em Cabo Verde. Seus batuques evocando na insistencia monocórdica do cimbó o que ficou lá longe, em África. As tabancas, anunciadas por meio de cornetas de chifre de boi, com as suas missas grandes, em que num curioso sincretismo religioso as bandeiras  são solenemente benzidas na igreja matriz. A fé nos bruxedos e histórias de malassombrados. A magia negra. Muita gente vai veladamente aos sitios recônditos do interior ter com o homem da magia negra para este botar o inimigo na tamborona, mediante mechas de cabelo, fotografias e roupas de baixo.
No grupo de Barlavento não vingou o tipo feudal-agrícola. A contrapor às campinas enormes de S. Tiago, pertencentes a um só individuo, há as pequenas hortas-jardins, especialmente em S. Nicolau, onde o dono, económicamente sempre deficitário, dificilmente pode abrir os braços sem empurrar o vizinho. Colonizadas por gente modesta, sem grandes recursos para aquisição de vasta mão-d'obra escrava, não havendo depósitos que lhes facultassem a compra imediata de escravos, as ilhas de Barlavento patriarcalizaram-se, transformando-se todos, senhores e escravos, numa familia. A profunda interpenetração dos dois étnicos obedeceu à necessidade de obviar à escassês do capital escarvo. Daí a miescegenação em grande, sendo que os filhos resultantes da união de senhores e escravos viriam a constituir o recurso necessário de mão-d'obra para a lavoura. Pelo sistema das heranças retalhou-se a propriedade num sem número de pequenas glebas. A necessidade de defesa militar teria também contribuido a meu ver, para a profunda contemporização dos dois elementos. Perante os ataques sempre esperados dos piratas, e estando na ilha de S. Tiago a capital da colónia, houve a necessidade de fortificar com relativa eficiência os seus pontos capitais. Já não assim nas outras ilhas. Enquanto em S. Tiago, ao grito de "navio pirata ao longe", as fortalezas respondiam pela bôca das suas peças, nas restantes ilhas homens livres e escravos fraternalmente embalavam a trouxa e fugiam para o interior, irmanados todos deante do perigo comum. José Lins do Rego dános uma idea do que seria essa colaboração perante o perigo quando, no Menino de engenho  (1932), descreve uma cheia, com senhores de engenho e cabras  do eito fugindo de conserva.
Fisionomias antagónicas nos dois núcleos caboverdianos? Diferenças sem dúvida, mas que a meu ver não determinam irredutibilidade e impossibilidade de interpenetração cultural. A evolução tem de fazer-se, como diz Gilberto Freire para o Brasil, no sentido de tôdas as fôrças de cultura terem inteira oportunidade de expressõ criadora.
O facto positivo é a criação em Cabo Verde de um ambiente de grande liberdade humana, nascida desse processus sui generis  absolutamente portuguez, ao invés dos colonizadores anglo-saxónicos que, sempre munidos da piedosa Biblia protestante, asfixiaram moralmente o pobre negro em nome da grande Civilização, apertando-o nas tenazes da colour line, e não permitindo que ele se evadisse desse compartimento estanque. Por isso, enquanto o crioulo tem um sentido profundo da terra-mãe e por ela sente irremíssivel apelo quando emigrante, o negro americano liberta a sua esperança de desforra social nas estridencias do jazz, na nostalgia dos blues ou em poemas de afirmação reivindicadora, como o de Langston Hughes - I, too, am Ámerica.
De um lado o equilíbrio dos étnicos, a reciprocidade de culturas, a liberdade, mesmo dentro da miséria ambiente; do outro o pensamento permanente na hora da revanche, da libertação da lei de Lynch.

*****

Langston Hughes (1902 - 1967)
I, TOO

I, too, sing America.
I am the darker brother.
They send me to eat in the kitchen
When company comes,
But I laugh,
And eat well,
And grow strong.

Tomorrow,
I’ll be at the table
When company comes.
Nobody’ll dare
Say to me,
“Eat in the kitchen,"
Then.

Besides,
They’ll see how beautiful I am
And be ashamed—

I, too, am America.

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Bibliographie


Oeuvres

  • (?) Introdução à filosofia, Lisboa: Didáctica, 1978, 3 vol., 79 p. + 81 p. + 54 p.

Périodiques

  • (?) "Morna: expressão lírica do sentimento cabo verdiano", Boletim do Círculo de estudos ultramarinos, ano IV, n° 1 (01-02/1970), p. 37-38
  • (?) "Morna: expressão lírica do sentimento cabo verdiano", Boletim do Círculo de estudos ultramarinos, ano IV, n° 2 (01-02/1968), p. 35-38
  • (?) "Morna: expressão lírica do sentimento cabo verdiano", Boletim geral do Ultramar, vol. 44, n° 516 (06/1968), p. 178-180
  • "Apontamento", Claridade: revista de arte e letras, n° 3 (03/1937), p. 6
  • "Apont​amento", Claridade: revista de arte e letras, n° 1 (03/1936), p. 9
Receuils collectifs - Anthologie - Autres
  • Manuel Ferreira (ed.), Cartas inéditas de Jorge Barbosa, João Lopes e Eugénio Tavares a José Osório de Oliveira, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989, pag. var.

Etudes littéraires


  • Aristides Lima, "Apresentaçõ do livro In memoriam João Lopes", Pré-textos: revista de artes, letras e cultura, II série, n° 5 (05/2014), p. 17-30
  • Mateus Monteiro, "Apresentação de In memoriam João Lopes", lopesfilho.com, 12/2007, en ligne  (web)
  • João Lopes Filho, In memoriam João Lopes, Praia: IBNL, 2007, 328 p.: principal ouvrage de référence sur J.L. père.