Luiz Andrade SILVA
né en 1943

Bibliographie

Luiz Silva (ou plus précisément Luiz Andrade Silva) est né le 11 août 1943, sur l'île de São Vicente.
Il poursuit son cursus scolaire sur son île, entre autre au Liceu Gil Eanes, puis il entre dans l'administration en 1964, sur les îles de Maio, Santiago et São Vicente.
En 1968, il émigre pour la France. Là, après avoir suivit des cours à l'Institut Léo-Lagrange de Paris, il poursuit avec un DEA en Histoire africaine à l'Université Paris I - Sorbonne. Il devient alors sociologue et historien. Il semble qu'il ait entrepris un doctorat dans la même Université.
Dans le même temps, il participe activement au développement du mouvement associatif capverdien dans le pays, aussi bien sur le plan politique que culturel.
En 2005, il reçoit la médaille du Mérito da Cultura des mains du Gouvernement et en 2011, le Président de la République le décore de la Primeira Classe da Medalha do Vulcão pour son engagement dans la défense et la diffusion de la culture capverdienne.

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Oeuvres littéraires


L'une des premières activités littéraires de Luiz Andrade Silva est la création du journal parisien Kaoberdi pa Dianti  avec Francisco Fragoso.
Membre du Comité de rédaction de la revue Latitudes, éditée à Paris, il publie plusieurs études sur l'émigration capverdienne, la littérature, ou encore les arts plastiques, et collabore également à d'autre revues françaises, portugaises et capverdiennes, dont Lusotopie, Terra Nova, Horizonte, A Semana, Liberal, Arquipélago, Expresso das Ilhas... Essais et poèmes se côtoient, écrits en créole ou en portugais. Certains ont été mis en musique par Jovino dos Santos et édités dans un CD intitulé Ex-Ilhas.
Dans le mensuel Nos vida  (Roterdam), il signe sous le pseudonyme L. Hesperitano.
Il est à l'origine de la réédition parisienne de O folclore cabo-verdiano  de Pedro Monteiro Cardoso, pour laquelle il a coécrit une préface avec Alfredo Margarido qui propose un nouveau regard sur la littérature capverdienne. Il est également co-auteur du livre Odisseia crioula, de Cabo Verde, os caminhos da regionalização et il collabore à Cabo Verde, três décadas depois  sous la houlette de Jorge Carlos Fonseca, en 2007.
En juillet 2015, il publie son premier ouvrage solo, Crónicas da Terra Longe, qui est en fait une compilation de ses textes antérieurs.

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CABOVERDIANA EMIGRANTE

          A Cesaria Evora - diva dos pé nús

Caboverdiana, minha irmã emigrante
Companheira nesta navegação exilar
Filha dilecta das Hespérides minhas
É tempo de repensar as nossas ilhas

O teu sorrizo hoje brilha em Paris
Nos aranha-céus de New York e Tóquio
Cantando num som dolente a nossa morna
Com a tua graça maior que as nossas ilhas.

Cabo Verde está nos teus olhos
E no coração daqueles que te escutam
Cabo Verde faz-se cada vez maior
Pela tua voz tão fraterna, tão nossa;

Na nossa Terra, no coração do povo
Ali, erguida, firme, ressuscita da dor
Das lutas contra as secas e fomes
E roças mais sanzalas e humiliações;

Caboverdiana emigrante a servir Cabo Verde
Africana primeira a atravessar livre o oceano
Que com o suor e o salitre na voz
Inventa e dá corpo à Nação Caboverdiana

Tu fostes a nossa dor em São Tomé
O nosso sacrifício em Dakar e América
Agora a Europa te abre as portas
Mas Cabo Verde é "hora di bai" e "hora di bolta"
Em toda a dimensão do nosso pensamento

Uma enxada, um violão e uma bandeira,
Em ti se resumem a nossa caboverdianidade
Que vai criando novos Caboverdes
Lá onde vive mais um filho das Ilhas.

Caboverdiana irmã
Aurora Hesperitana
Flor aberta no meu peito
Chuva e semente de Cabo Verde
Agora é tempo de repensat Cabo Verde.
31/12/2001

Destino de bai, 2008, p. 282-283



CABOVERDIANO EMIGRANTE

          Ao músico patrício Teofilo Chantre

Caboverdiano irmão emigrante
Homem de mares e fábricas
Combatente e poeta
É tempo de regressar

Foste riqueza a explorar
Matéria viva a sangrar
Como o Sol, o Porto e o Mar
O que ainda nos faz pensar

Abandonado num porto qualquer
Sucumbindo de frio numa barraca
Morrendo sob o trabalho negro
Para ser semente da liberdade

A carta de amor que não chegou
A notícia da morte da mamãe
A impossibilidade de regressar
Só tu e eu sabemos compreender

Quando o dinheiro não chegou
Trataram-te de mau filho
As tuas cartas sofridas
Rejeitadas
Lançadas ao acaso nas achadas.

Só eu e tu irmão sabemos
O que exprime a dor deste violão
São notas e revoltas consumidas
Que é preciso vivê-las
Para as compreender

Deste exílio nem a palvra te deram
És sempre o emigrante
Que direito nenhuns
Tem no Mundo.

Caboverdiano, irmão emigrante,
É tempo de regressar,
É tempo de regressar...

Paris, Agosto de 1989

Destino de bai, 2008, p. 284-285

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Bibliographie


Oeuvres

  • Crónicas da Terra longe, Lisboa: Chiado Editora, 07/2015, 442 p., 24 cm. (coll. Compendium); réédition: 2016
  • L'émigration capverdienne en Afrique occidentale: Sénégal, Guinée-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola  (mémoire de DEA), Paris: Centre de recherches africaines, 1981, 245 f., 30 cm. (sous la dir. de Alfredo Margarido)

Périodiques

  • "A emigração é também uma região de Cabo Verde", movimentoparaaregionalizaoeautonomias, 29/04/2017, en ligne  (web)
  • "Le rôle des émigrés dans la transition démocratique aux îles du Cap Vert", Lusotopie, n° 2 (1995), p. 315-322  (web)
  • "s.t.", Arquipélago: revista de opinião e cultura, ano V, n° 11 (05/1989), p. 26-28
  • Arquipélago: revista de opinião e cultura, ano III, n° 10 (12/1988):
  1. "A caderneta  de Baltasar Lopes em língua inglesa, numa tradução de Vicente Rendall Leite", p. 6-7
  2. "Pátria na mei d'mar", p. 24
  3. "Porto Grande d'Otrora", p. 24
  4. "Testamento de Mari Matchim", p. 24
  • ​Arquipélago: revista de opinião e cultura, ano II, n° 7 (06/1987):
  1. "A ilha e a Europa", p. 20
  2. "O menino da Madame", p. 21
  • Arquipélago: revista de opinião e cultura, ano II, n° 6 (02/1987):
  1. "Caminhada da mulher caboverdiana: a França", p. 4-5
  2. "Bia", p. 15

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • "n/a", in Cabo Verde, os caminhos da regionalização, s.l.: Movimento para a Regionalização de Cabo Verde, 2014, p. n/a 
  • "Alfredo Margarido: o Lusófono necessário para a lusofonia", Paris, 10/12/2011: réédité sur le blog de Manuel Brito Semedo, Esquina do tempo  (web)
  • Francisco Fontes (ed.), Destino de Bai: antologia de poesia inédita cabo-verdiana, Coimbra: Saúde em português, 06/2008:
  1. "Fraternidade", p. 281
  2. "Cabo-verdiana emigrante", p. 282
  3. "Cabo-verdiano emigrante", p. 284-285
  4. "Poema para a Olivia Badjuda da Guiné", p. 286-287
  5. "Transmontando o ilhéu da vida", p. 288-290
  • "n/a", in Jorge Carlos Fonseca, Cabo Verde: três décadas depois, Lisboa: Imprensa nacional - Casa da Moeda, 2007, p. n/a
  • L.S. / António Barbosa da Silva / Domingos Barbosa da Silva, A odisseia crioula : as tristezas, alegrias e esperanças do emigrante cabo-verdiano, (Norway): Alpha Beta Sigma, 1993, 402 p.
  • "Introduction", in Pedro Monteiro Cardoso, Folclore cabo-verdiano, Paris: Edição Solidariedade cabo-verdiana, 1986, p. n/a 

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Etudes critiques


  • Adriano Miranda Lima, "Crónicas da Terra longe: sinopse", chiadobooks.com, s.d., en ligne  (web)