Daniel FILIPE
(1925 - 1964)

Biographie


Daniel Damásio Ascensão Filipe est né le 11 décembre 1925, sur l'île de Bõa Vista et meurt le 6 avril 1964 à Lisbonne, à l'âge de 39 ans.
Âgé d'environ 2 ans, il déménage avec sa famille au Portugal où il achèvera ses études. Il devient alors fonctionnaire au Ministério do Ultramar, travaillant pour l'Agência geral do Ultramar et dirigeant un programme littéraire, "Voz do Império", à la Radio Télévision du Portugal. Puis il occupera différents poste, le dernier dans la publicité.
Ses choix politiques sont clairs. Il s'oppose vivement à la dictature salazariste, ce pourquoi il est arrêté et torturé par la Polícia internacional e de defesa do Estado (PIDE).

Il occupe le siège n° 28 des Patronos / Imortais da Academia Cabo-verdiana de Letras, fondée en 2013.

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Censura – relátorio n° 9'387 (30/03/1972) relativo a Pátria, lugar de exílio
(web)

Censura – relátorio n° 6'664 (12/10/1960) relativo a O manuscrito na garrafa 
(web)

Oeuvres littéraires


Daniel Filipe, écrivain et journaliste, est co-directeur du périodique Notícias do bloqueio. Il collabore à la revue Távola redonda, ainsi qu'à Seara nova  et au journal Diário ilustrado.
On lui connaît plusieurs ouvrage dont le plus connu est probablement A invenção do amor et outros poemas  publié en 1961 et édité sous format vinyl avec Mário Viegas, en 1973, sous le label Orfeu.
Son continuel combat idéologique le place parmi les poètes néo-réalistes.
Ses écrits se partagent entre le souvenir des îles du Cap Vert et la Métropole, d'où sa place parmis les plus éminents poètes capverdiens.
Il écrit aussi sous le pseudonyme de Raymundo Soares.

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ROMANCE DE TOMASINHO-CARA-FEIA

Farto de sol e de areia
Que é o mais que a terra dá,
Tomasinho Cara-Feia
vai prá pesca da baleia.
Quem sabe se tornará?

Torne ou não torne, que tem?
Vai cumprir o seu destinho.
Só nha Fortunata, a mãe,
Que é velha e não tem ninguém,
Chora pelo seu menino.

Torne ou não torne, que importa?
Vai ser igual ao avô.
Não volta a bater-me à porta;
Deixou para sempre a horta,
que a longa seca matou.

Tomasinho Cara-Feia
(outro nome, quem lho dá?),
farto de sol e de areia,
foi prá pesca da baleia.

- E nunca mais voltará!

MORNA

É já saudade a vela, além.
Serena, a música esvoaça
na tarde calma, plúmbea, baça,
onde a tristeza se contém.

os pares deslizam embrulhados
de sonhos em dobras inefáveis.


(Ó deuses lúbricos, ousáveis
erguer, então, na tarde morta
a eterna ronda de pecados
que ia bater de porta em porta!)

E ao ritmo túmido do canto
na solidão rubra da messe,
deixo correr o sal e o pranto
- subtil e magoado encanto
que o rosto núbil me envelhece.

Plusieurs autres poèmes et écrits de Daniel Filipe disponibles 
ici.

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Bibliographie


Oeuvres

  • A invensão do amor e outros poemas, Praia: Movimento pró-cultura, 1993, pag. var. (préf. António Cabral)
  • Discurso sobre a cidade: crónicas, Lisboa: s.n., 1977, 86 p., 18 cm. (coll. Forma, n° 8)
  • (FR) Patrie, pays d'exil, suivi de Le voyageur clandestin, Grenoble (FR): Editions La Nauf créatique / Syllepses, 1971, n.p.: tirage 250 exemplaires numérotés
  • Pátria, lugar de exílio: poesias em tempo de guerra, Lisboa: Presença, 1970, 82 p., 18 cm. (coll. Forma, n° 4); rééditions: 1974, 1977
  • A invensão do amor e outros poemas, Lisboa: Presença, 1969, 88 p., 19 cm. (coll. Forma, n° 1);  rééditions: 1970, 1972, 1976, 1977, 1983, 1988, 1994, 1999, 2002, 2006
  • Pátria, lugar de exílio: poesias em tempo de guerra, Lisboa: s.n., 1963, 78 p., 20 cm.
  • Discurso sobre a cidade, Lisboa: Sagitário, 1961, 86 p., 20 cm.
  • A invensão do amor e outros poemas, Lisboa: Sagitário, 1961, 65 p., 20 cm.
  • O manuscrito na garrafa: novela, Lisboa: Guimarães editores, 1960, 156 p., 17 cm. (coll. Horas de leitura, n° 15)
  • A ilha e a solidão: poemas, Lisboa: Ag. Geral do Ultramar, 1957, 55 p., 24 cm.: Prémio Camilo Pessanha 1956 / sous pseudo Raymundo Soares
  • Recado para a amiga distante, Lisboa: s.n., 1956, 47 p., 23 cm.
  • O viageiro solitário, Lisboa: Edições Távola redonda, 1951, 77 p., 21 cm.
  • Pátria, lugar de exílio: poesias em tempo de guerra, s.l.: s.n., 195-, 78 p., 20 cm. (Lisboa: Gráf. Boa Nova)
  • Marinheiro em terra, s.l.: s.n., 1949, 53 p., 20 cm. (Lisboa: Gráf. Boa Nova)
  • Missiva: poemas, Lisboa: Gama, 1946, 114 p., 24 cm.

Périodiques

  • Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano XV (nova fase), n° 19-21 / 175-177 (04-06/1964):
  1. "Saudades para longe", p. 6 
  2. "Tres poemas de conto e lamentação na cidade ocupada", p. 7-8
  3. "Ofensiva da primavera", p. 8
  • "Discurso sobre a cidade (1)", Diario ilustrado  (Lisboa), ano I, n° 1 (02/12/1956), p. 10
  • "Os nativos na economia africana", Boletim geral do Ultramar, ano XXIX, n° 344 (02/1954), p. 11-18
  • "Poema para a mãe do poeta", Atlântico: revista luso-brasileira, nova série, n° 1 (1946), p. 79-80
  • "Dois poemas de Supervielle", Seara nova: revista de doutrina e crítica, n° 902 (25/11/1944), p. 213  (web)
  • Seara nova: revista de doutrina e crítica, n° 898 (28/10/1944), p. 143  (web)
  1. "Menina-Feita-Mulher"
  2. "Sonata"
  • Seara nova: revista de doutrina e crítica, n° 887 (12/08/1944), p. 248  (web)
  1. "Balada"
  2. "Acorde"

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • Erica Antunes Pereira / Maria de Fátima Fernandes / Simone Caputo Gomes (ed.), Cabo Verde, 100 poemas escolhidos, Praia: Ed. Pedro Cardoso, 2016:
  1. "Ilha", p. 67
  2. "Paisagem", p. 68
  • Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco (ed.), Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX (vol. II: Cap Vert), Rio de Janeiro: UFRJ, 1999:
  1. "Ilha", p. 103
  2. "Madrigal de Frank a Bia de Nha Noca", p. 104
  • Lúcia Cechin (ed.), Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe: poesia e conto, Porto Alegre (Brasil): UFRGS, 1986:
  1. "Ilha", p. 23
  2. "Seca", p. 23
  3. "Morna", p. 24
  4. "Romance de Tomasinho-Cara-Feia", p. 24
  • Serafim Ferreira (org.), Resistência africana (antologia poética), Lisboa: Edição di Abril, 1975
  1. "Romance de Tomasinho-Cara-Feia", p. 68
  2. "Madrigal de Frank a Bia de Nha Noca", p. 69
  • Manuel Ferreira (ed.), No reino de Caliban: antologia panorãmica da poesia africana de expressão portuguesa  (vol. I: Cabo Verde / Guinée-Bissau), Lisboa: Seara Nova, 1975 (3a ed. 1988):
  1. "Ilha", p. 263 (1988, p. 257)
  2. "Preia-mar", p. 263 (1988, p. 257)
  3. "Anseio", p. 264 (1988, p. 258)
  4. "Navio pirata", p. 264 (1988, p. 258)
  5. "Canção quase sem sentido", p. 265 (1988, p. 259)
  6. "Morna", p. 265 (1988, p. 259)
  7. "Seca", p. 266 (1988, p. 260)
  8. "Romance de Tomasinho-Cara-Feia", p. 266(1988, p. 260)
  9. "Carta para longe", p. 267 (1988, p. 261)
  10. "Regresso", p. 267-268 (1988, p. 261-262)
  • O último dia da PIDE, 26 de Abril no Porto, Porto: Movimento democrático, 1974, p. n/a
  • João Alves das Neves (ed.), Poetas portugueses modernos, Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1967, p. n/a
  • (FR) François Lopez / Robert Marrast, La poésie ibérique de combat: anthologie, Honfleur (Calvados): P.J. Oswald, 1966, p. n/a
  • Afonso Cautela / Serafim Ferreira (ed.), Poesia portuguesa do pós-guerra, 1945-1965: antologia, Lisboa: Editora Ulisseia, 1965, p. n/a
  • Luís Forjaz Trigueiros (ed.), Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor: o Ultramar português, Lisboa: Livraria Bertrand, 1963:
  1. "Seca", p. 91
  2. "Romance de Tomasinho-Cara-Feia", p. 91-92
  3. "Carreira aérea entre as ilhas", p. 92
Disque vinyl
  • D. F. / Mário Viegas, A invensão do amor e outros poemas, Lisboa: Orfeu, 1973, LP album STAT 016 (web):
  • Back cover info:
    A1, B4, B5 and B8 - from the book A invenção do amor.
    B1, B2, B3,B6 and B7 - from the book Pátria, lugar de exílio.

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Etudes critiques


  • "Daniel Filipe (1925-1964)", Jornal On line Tornado: informação plural e independente, 15/04/2018, en ligne (web)
  • "Efeméride: há 46 anos (sic!) morria o poeta Daniel Filipe", Expresso das ilhas, n° n/a (05/04/2010), en ligne  (web)
  • Simone Caputo Gomes, "A poesia viva de Daniel Filipe: amor e liberdade propagados nos weblogs do século XXI", in José Luis Hopffer Almada (ed.), O ano mágico de 2006: olhares retrospectivos sobre a história e as culturas cabo-verdianas, Praia: IBNL, 2008, p. 525-565
  • Simone Caputo Gomes, Uma recuperação de raiz: Cabo Verde na obra de Daniel Filipe  (tese de mestreado / Rio de Janeiro, 1979), Praia: ICLD, 1993, 93 p.
  • "Sobre Daniel Filipe", Voz di letra  (suplemento da Voz di povo), n° 6 (1986), p. 2
  • Francisco Espadinha, "Nota sobre A invenção do amor", dans D. Filipe, A invençâo do amor et outros poemas, Lisboa: Presença, 1983, p. n/a
  • Maria Rosa Colaço, "Luto nas letras. Morreu Daniel Filipe", Cabo Verde: boletim de propaganda e informação, ano XV (nova fase), n° 19-21 / 175-177 (04-06/1964), p. 5/6  (web)
  • Fernando Couto, "Daniel Filipe exilado sem regresso", n/a
  • Jorge Miranda Alfama, "Um adeus ao poete Daniel Filipe à distância de décadas", n/a

Missiva

(1946)

Marinheiro

(1949)

O viageiro

(1951)

Recado

(1956)

A ilha...

(1957)

O manuscrito

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Discurso...

(1961)

A invenção...

(1961)

Pátria...

(1963)

A invenção...

(1969)

A invenção...

(vinyl - 1973)

Pátria...

(1974)

Discurso...

(1979)