Leopoldina BARRETO
(1937 - 2007)

Biographie

Leopoldina Calazans Silva Barreto est née le 1er septembre 1937 à Preguiça, sur l'île de São Nicolau, et meurt en avril 2007, en Suède, à l'âge de 69 ans.
Elle se marie avec José Barros, avec lequel elle a plusieurs enfants.
Après un temps au Cap Vert, âgée d'une trentaine d'années, elle émigre en Suède avec ses enfants et rejoint ainsi son mari, ouvrier à Göteborg. Là, les études achevées, toute la famille travaille. Leopoldina Barreto exercent diverses fonctions dans une grande usine de confection. Cependant, ses enfants diplômés, elle décide de se consacrer uniquement à la peinture et à l'écriture. Elle revient sur son île natale où elle fait construire une maison, et séjourne parfois au Portugal ou en Suède.
Elle décède finalement en Suède, à la suite d'une longue maladie.

Elle occupe le siège n° 33 des Patronos / Imortais da Academia Cabo-verdiana de Letras, fondée en 2013.

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Oeuvres littéraires


Leopoldina Barretos n'a pas une oeuvre littéraire abondante, à peine une demie-douzaine d'ouvrages (tous publiés à compte d'auteur!) et textes, dont certains parus dans Voz di povo.
Pourtant elle est reconnue comme une des écrivaines majeures du Cap Vert et a sa place à l'Académie.
En 2003, elle remporte le Prix António Nunes, "prémio para literatura infanto-juvenil pela Associação dos escritores cabo-verdianos", pour son livre Ilha do Rei Titão  paru en 2000.
En décembre 2017, dix ans après sa mort, sous la houlette et le financement de Leontina Barreto, sa propre fille, ainsi que des proches et du Prof. Manuel Brito-Semedo, paraît Sôdad em 80 poemaz, recueils de poèmes écrits entre 1978 et 1987.

Notons encore que malgré la reconnaissance qui lui est faite par ses paires, aucune étude critique ou comparée de son oeuvre n'a été entreprise à ce jour.

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PREGUICA DE SÃO NICOLAU

Velha... Velhinha... pobre sentida,
Sempre mais velha e mais despida,
Olhando o mar, sempre esperando,
Por quem prometeu na despedida.
O mar abraça-te incansado,
Fazendo de ti, a presa sua,
Embriagando com tuas lágrimas,
E ele assim, vai-te enganando...

Já foste sim, donzela amada,
Por caçadores acautelados...
Teus velhos trapos, bem observados,
Mostram que andaste bem trajada...
E mesmo no livro mal cuidado,
Se pode uns versos ler ainda:
- P'lo teu passado, versos deixados,
E que a ti foram, dedicados...

Velh'amiga... testemunha muda...
De marinheiros, cofre fechado...
Velha Preguiça, dos velhos tempos,
P'lo tempo, quase enterrada...
E p'los ingratos já esquecida,
Como ficaram mil juramentos,
Todos perdidos ao som dos ventos...
Promessas pelas ondas tragadas...




No teu Porto, ontem tão famoso,
Quantas esperanças deixadas...
Quantos corações destroçados...
Rostos tão tristes, olhos chorosos,
Maes que viram partir os seus filhos!
Quanta Dor, quanta amargura,
Quantas lágrimas derramadas!...
E tu, olhando... testemunhando...

Até de mim, foste testemunha,
De ver-me nascer no teu regaço,
Onde dormi meu primeiro sono,
Embalada p'la canção das ondas,
Desse mesmo mar que te abraça.
Diz a gente qué's pobre e nua,
Mas p're mi és o dourado berço,
A minha primeira alvorada...

Que culpa tens de ser escarpada?
E se não quis Deus, encher d'areia
A tua praia, não és culpada!
E tens as pedras que são tuas rosas...
Em vaso d'cristal que é todo teu.
E são as ondas teus diamantes,
E teu manto roto é d'rainha!...
                                          Leo.Barreto / 1979

(tiré de Euridice Monteiro, "Letras da Diáspora: Carlota Barros e Leopoldina Barreto", Atitude, 13/05/2013, en ligne  (web))

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Bibliographie


Oeuvres

  • Sôdad em 80 poemaz, Praia: EME - Marketing e eventos, Lda, 2017, n/a p. (sous la dir. Manuel Brito-Semedo)
  • As vítimas do amor impossível, Mindelo: Ed. da autora, 2004, 401 p., 21 cm.
  • Ilha do Rei Titão, Mindelo: Ed. da autora, 2000, 141 p., 21 cm. (Prémio António Nunes, 2003)
  • Monte Gordo, Mindelo: Ed. da autora, 1997, 480 p.

Périodiques

  • Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano XVI, n° 83 (06/2007):
  1. "Preguiça de S. Nicolau", p. 3
  2. "O mundo dos meus sonhos", p. 3
  3. "A mulher cabo-verdiana", p. 10
  • Voz di povo, ano XI, n° 529 (1986):
  1. "O carro das mudanças", p. 7
  2. "A flor que sempre dura", p. 7

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • "n/a", in Ondina Ferreira, Elas contam..., Praia: IBNL, 2008, p. n/a 
  • "n/a", in Tomé Varela da Silva (ed.), Antologia da ficção cabo-verdiana: vol. III - Pós-Claridosos, 2002, p. n/a

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Etudes critiques - Articles


  • Chissana Magalhães, "Oitenta poemas para recordar Leopoldina Barreto", Expresso das ilhas, 14/12/2017, en  ligne  (web)
  • Euridice Monteiro, "Letras da Diáspora: Carlota Barros e Leopoldina Barreto", Atitude, 13/05/2013, en ligne  (web)
  • s.n., "38 mulheres homenageadas em dia de Leopoldina Barreto", ANGOP: agência Angola Press, 26/11/2008, en ligne  (web)
  • Carlota de Barros, "Álbum de recordação (XI): homenagem a Leopoldina Barreto", Artiletra: JORE / Jornal revista de educação, ciência e cultura, ano XVI, n° 83 (06/2007), p. 10
  • Ana Cordeiro, "A ilha do rei Titão  de Leopoldina Barreto", Artiletra: JORE / Jornal - revista de educação, ciência e cultura, ano X, n° 41 (12/2001), p. 10
  • Fernando Monteiro, "Leopoldina Barreto: a minha inspiração é natural", Novo jornal Cabo Verde, ano I, n° 69 (1993), p. 7

Ilha do Rei Titão

(2000)

As vítimas do amor impossível

(2004)

Sôdad em 80 poemaz

(2017)