David Hopffer ALMADA
(1945 - )

Biographie


David Hopffer Almada est né le 19 décembre 1945, à Chã de Tanque, sur l'île de Santiago.
Fils de Júlia Furtado do Livramento Lopes (1918-2016) et d'António Hopffer Cordeiro Almada (1919-1975), il épouse Maria do Rosário de Fátima Valadares Dupert (1945-), en premières noces, puis Ana Maria de Fátima Gonçalves Nogueira Fonseca (1957-), en secondes noces. Avec chacune d'elles, il a deux enfants. Il est le frère de l'écrivain José Luís Hopffer Cordeiro Almada.
L'école primaire achevée dans son village, il est inscrit au Séminário de S. José, à Praia. En 1965, il quitte le séminaire pour rejoindre le Liceu Adriano Moreira.
Grâce à une bourse de la Fondation Calouste Gulbenkian obtenue en 1968, il entre à la Faculté de Droit de l'Université de Coimbra et y obtient sa licence en juillet 1973. Après ses études, il devient avocat et juriste, puis fonde son cabinet D. Hopffer Almada e Associados au Cap Vert, mais très vite il se prend de passion pour la politique nationale. 
De 1975 à 1986, il est ministre de la Justice, le premier depuis que le Cap Vert est indépendant.
De 1986 à 1991, il est ministre de l'Information, de la Culture et du Sport, poste qu'il cumule avec celui de la Justice entre 1988 et 1989.
A partir de 1991, il redevient avocat à Praia. Il en profite pour élargir toujours plus son cercle en intégrant le comité de nombreuses associations et structures sociales tels que le Rotary Club ou le Sporting Club de Praia, ou encore la Fondation Amílcar Cabral. Dans le même temps, il s'intéresse de plus en plus à l'écriture, quittant les rivages de l'essai, pour se lancer sur ceux du roman et de la poésie. Ainsi, homme de l'Indépendance, homme politique actif dans les plus hautes instances de la jeune République, écrivain-essaiste confirmé, homme mondain, poète en devenir, David Hopffer Almada coche tour à tour toutes les cases idéales pour être, un jour, Président de la République!

Il est un des co-fondateurs de l'Académie capverdienne des Lettres, à la tête de laquelle il a été élu le 6 janvier 2018. (web)

Pour plus de détails sur ses activités politiques et privées, nous renvoyons au site barrosbrito.com qui en dresse la très longue liste.  (web)

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Oeuvres littéraires


De retour au Cap Vert après ses études en Droit à Coimbra, David Hopffer Almada arrive en plein de la période agitée de 1974. Il fait alors ses premières armes littéraires et devient le directeur du journal anti-colonial Alerta!, qui sera interdit à partir du cinquième numéro.
Il collabore par la suite à plusieurs périodiques capverdiens, dont Voz di povo, Ariópe, Unidade e luta, Raízes, Nos vida, Novo jornal Cabo Verde, A semana  ou encore Direita e cidadania.
Depuis les années 2000, et plus encore ces dernières années, David Hopffer Almada multiplie les publications (6 en 8 ans), touchant tour à tour à la poésie (en créole ou portugais), à l'essai politique ou encore au roman.

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AS MÃOS DE JOÃO

Olhem
Vejam essas mãos
As mãos de João!

As mãos de João eram fortes
As mãos de João eram vigorosas
As suas mãos eram habilidosas
Com suas mãos João era alguém
João tinha orgulho nas suas mãos
João precisava das suas mãos

Com suas mãos
João plantava árvore para a sombra
João levantava a enxada para comer
Rachava lenha para a fogueira
Empunhava a catana para se defender
Construía tecto para abrigo
Com as mãos João tocava
Pandeiro, violão e reco-reco para esquecer
João precisava dessas mãos.

João, onde estão as tuas mãos?
Aquelas mãos fortes, seguras,
Firmes, pesadas, duras,
Brincalhonas, tranquilas, ágeis,
Puras, limpas, hábeis
As tuas mãos onde estão
Amigo João, meu irmão?

Mãos de pedra
Pedra pura
Pedra tosca
Mãos sujas
Mãos de rocha
Mãos de ferro
Mãos secas, ressequidas
Mãos tristes, caídas
Mãos ensanguentadas, culpadas,
Nervosas, partidas, quèbradas
São estas as tuas mãos
João, meu irmão?

E as árvore
A enxada
O tecto
A fogueira
A catana
O violão, pandeiro, reco-reco
João?!...

Mirabilis de veias ao sol, 1998, p. 149-150

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CASA DI POBRI

Quáto paredi saquédo
di pedra nú
padja cana stendêdo riba cumêra
pâ tádja  sol
cinco metro di comprido
três di largura
um stêrado na meio
pa tem um "sala"
na parede um fodja jornal
pa dal finura
na cantunêra um candêro di vidro
di civilizaçon
na cantu casa um tamboro midjo
pa mostra nhôs.
Num banda casa mi cu nha mudjer tâ fazé fidjo
na queloto banda
nôs cinco fidjo (três matcho, dôs fémea)
ta ronca sono
na batente porta
"piloto" ta spanta finado
baxo mesa nôs galo
ta cordona pâ trabadjo.

Mirabilis de veias ao sol, 1998, p. 140

*****


SONHO

A miragem desfez-se
em sobressalto
aquele enorme estandarte rubro
desfez-se em nada
toda a minha alegria
esfumou-se em vento
duas fartas lágrimas
lavraram minhas faces
todo eu tremi desesperado.
É que na verdade
a miragem  a alegria o estandarte
tudo isso era mentira
fora um sonho.

Mirabilis de veias ao sol, 1998, p. 139

Bibliographie


Oeuvres

  • Dito e escrito, Praia: Acácia Editora - ACVL, 2017, n/a p.
  • Papa por uma noite, Praia: Artes e entretenimento, 2015, 162 p., 21 cm.: roman
  • Cabo Verde de esperança, Praia: Artemedia Editora, 2013, 218 p., 24 cm.: poésie
  • Cabo Verde e os caminhos do futuro, (Praia): Artemedia Editora, 2012, 223 p., 24 cm.
  • A construção do Estado e a democratização do poder em Cabo Verde, Praia: Artemedia, 2011, 183 p., 23 cm.
  • Cabo Verde, a revisão constitucional de 2010 e o advento da nova República, Praia: IBNL, 2010, 255 p., 21 cm.
  • Pela cultura e pela identidade: em defesa da caboverdianidade, Praia: IBNL, 2006, 195 p., 21 cm. (coll. Estudos e pesquisas)
  • Vivências, Praia: IBNL, 2004, 106 p., 21 cm. (coll. Artes e letras)
  • A questão presidencial em Cabo Verde: uma questão de regime, Praia: Ed. do autor, 09/2002, 145 p., 21 cm.
  • Caboverdianidade e tropicalismo: 2as jornadas de tropicologia, conferências proferidas por David Hopffer Almada durante as jornadas de tropicologia, realizadas em Recife, Novembro de 1989, Recife: Fundação Joaquim Nabuco - Massanga, 1992, 96 p. (coll. Cursos e conferências, n° 49): essai
  • Canto a Cabo Verde, Praia: ICL, 1988, 67 p., 21 cm.  (coll. Poesia)

Périodiques

  • "O poder judicial na próxima revisão constitucional: uma perspectiva", Direito e cidadania, ano III, n° especial (1999), p. 43-54
  • "Manifestamente inconstitucional a proposta de "cassação" de deputados", Direito e cidadania, ano I, n° 3 (1998), p. 273-277
  • "O Estado dos "Cinco": que futuro?", Novo jornal Cabo Verde, ano IV, n° 374 (1996), p. 10-11
  • "A revisão é necessária porqué?!", Novo jornal Cabo Verde, ano III, n° 334 (1995), p. 22-23
  • "Ministros inexistentes", A semana, ano III, n° 136 (1994), p. 8
  • "Debate: a inconstitucionalidade da proposta de cassação de deputados", Correio quinze, ano I, n° 15 (1994), p. 7
  • "Projectos de lei relativos à interrupção voluntária de gravidez e à lei de imprensa aprovados pelo Conselho de Ministros", Voz di povo, ano XI, n° 590 (1986), p. 16
  • "O que é o direito em Cabo Verde? David Hopffer Almada, Ministro de Justiça", Voz di povo, ano VI, n° 282 (1981), p. 6-7
  • "Novo conceito do casamento está na base do direito de familia cabo-verdiana", Voz di povo, ano VI, n° 273 (1981), p. 6-7
  • "É preciso condições para a 3a fase do festival: declarou David H. Almada, presidente da sub-comissão de informação", Voz di povo, ano V, n° especial (1980), p. 8
  • "O direito na nova sociedade", Unidade e luta: orgão de informação da Comissão nacional de Cabo Verde, série II, n° 2 (1980), p. 21-27
  • "Projecto do Código de processo penal: primazia da verdade material sobre a verdade formal", Voz di povo, ano IV, n° 161 (1978), p. 3
  • Raízes, ano II, n° 5-6 (01-06/1978):
  1. "Hino à liberdade", p. 116
  2. "Masmorra de Lisboa", p. 116-117
  • "Não ao referendo", Alerta!, ano I, n° 3 (1974), p. 1

Recueils collectifs - Anthologies - Autres

  • Erica Antunes Pereira / Maria de Fátima Fernandes / Simone Caputo Gomes (ed.), Cabo Verde, 100 poemas escolhidos, Praia: Ed. Pedro Cardoso, 2016:
  1. "Canto a Cabo Verde", p. 117-120
  2. "Na som di batuco", p. 121 
  • "Da travessia no deserto ao ressurgimento de uma nova azágua / De la traversée du désert à l'éveil d'une nouvelle azágua", Manuel Veiga (ed.), Cabo Verde: insularidade e literatura / Insularité et littérature aux îles du Cap Vert, Paris: Editions Karthala, 1998, p. 59-64 (version française)
  • José Luís Hoppfer Cordeiro Almada (ed.), Mirabilis de Veias ao Sol: antologia dos novíssimos poetas cabo-verdianos, Lisboa: Caminho, 1988 (2a ed. 1991: 3a ed. 1998):
  1. "Sonho", p. 133
  2. "Casa di pobri", p. 134
  3. "Paz, liberdade e amor", p. 135
  4. "Ditador!", p. 136
  5. "Na fomi di 47", p. 137-140
  6. "Uma porta n° 26 / Lisboa", p. 141-142
  • Luís Romano (ed.), Contravento. Antologia bilingue de poesia cabo-verdiana, Taunton (MA / USA): Atlantis Publishers, 1982:
  1. "Na som di batuco / Ao som do batuque", p. 80-81
  2. "Dja tchiga tempo / Já chegou o tempo", p. 82-85

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Etudes critiques - Articles


  • António Chantre Neves, "Dito e escrito  intervenções de David Hopffer Almada", A nação: jornal independente, ano X, n° 529 (19/10/2017), p. E2
  • "O ano visto por David Hopffer Almada", África lusófona: política, economia, sociedade, ano I, n° 6 (01-02/2002), p. 38-39
  • Arminda Barros, "Hopffer Almada: moção de confiança sim!" Novo jornal Cabo Verde, ano II, n° 139 (1994), p. 10-12
  • "Reflexões antropológicas de David Hopffer Almada: embaixada do Brasil acolhe lançamento do livro Cabo Verdianidade e tropicalismo", Novo jornal Cabo Verde, ano I, n° 106 (1994), p. 2
  • Luís Romano, Canto a Cabo Verde de David Hopffer Almada, Praia: Movimento pró-cultura, 1988, n/a p.
  • L. Carvalho, "Hopffer Almada à imprensa cabo-verdiana: reunião de Luanda foi um salto qualitativo na cooperação entre os Cinco", Voz di povo, ano XI, n° 536 (1986), p. 3

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